Por Jonildo Cavalcanti.
A corrida rumo ao Palácio da Redenção nas eleições estaduais coloca o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), diante de um tabuleiro político complexo e milimetricamente dividido na Rainha da Borborema. Ao mesmo tempo em que consolida alianças de peso no estado, o emedebista enfrenta o desafio de reverter o favoritismo de adversários locais em Campina Grande. O município é o segundo maior colégio eleitoral da Paraíba e historicamente decisivo para qualquer pretensão majoritária.
O Labirinto de Alianças: Forças Divididas:
A pré-candidatura de Cícero Lucena opera sob uma arquitetura de apoios de alta relevância, mas que esbarra nas rachaduras da política campinense. O principal trunfo de Cícero para dialogar com a cidade foi a escolha do empresário Diogo Cunha Lima como seu pré-candidato a vice-governador. Diogo carrega consigo o aval do tradicional clã Cunha Lima — incluindo o ex-governador Cássio Cunha Lima e o ex-deputado Pedro Cunha Lima —, garantindo ao ex-prefeito da capital uma forte inserção no eleitorado conservador e tradicional da região. Outro fundamental apoio é o do Senador Veneziano Vital do Rêgo que detém sua fatia no eleitorado campinense.
Para somar musculatura à base, Cícero conta com o apoio estratégico do deputado federal Romero Rodrigues (Podemos) e do médico Dr. Jhony Bezerra (PSD). Ambos possuem recall eleitoral expressivo e bases consolidadas na cidade. Contudo, a convivência dessas forças no mesmo palanque exige de Cícero uma constante habilidade de mediação para neutralizar os atritos públicos.
O grande dilema eleitoral de Cícero Lucena em Campina Grande reside no posicionamento do atual prefeito da cidade, Bruno Cunha Lima (União Brasil). Rompendo a unidade familiar em torno da chapa emedebista, Bruno declarou apoio formal à pré-candidatura do senador Efraim Filho (PL) ao Governo do Estado. Essa divisão cria um cenário de fragmentação, onde a máquina da prefeitura campinense atua na direção oposta aos esforços de Cássio e Pedro Cunha Lima
O Desempenho Atual e os Desafios de Imagem
As pesquisas de intenção de voto ilustram com clareza o tamanho do obstáculo de Cícero no município. Conforme dados divulgados pelo Instituto Data Ranking / Portal Fonte83, o atual governador e pré-candidato à reeleição, Lucas Ribeiro (PP), lidera as intenções de voto em Campina Grande com 42,1%, enquanto Cícero Lucena aparece na segunda posição com 24,6%.
O principal desafio de Cícero é desconstruir o rótulo de “político estritamente pessoense”. Tendo governado João Pessoa por quatro mandatos e concentrado ali sua carreira recente, ele precisa convencer o eleitorado campinense de que seu plano de governo não será centralizado na capital. Campina Grande historicamente cultiva um forte sentimento de autonomia e costuma rejeitar lideranças com forte identidade voltada ao litoral.
Para reverter o cenário desfavorável e consolidar sua caminhada rumo ao Palácio da Redenção, Cícero Lucena precisa urgentemente transferir seu polo de gravidade política para Campina Grande, transformando o município em uma extensão de sua rotina de trabalho. O eleitorado campinense, conhecido por sua exigência e forte identidade regional, não aceitará um candidato de gabinete ou que apareça apenas em períodos festivos. É fundamental que o emedebista gaste sola de sapato nas ruas, participe ativamente de debates nos bairros periféricos e apresente um projeto de descentralização administrativa que comprove, na prática, o protagonismo econômico da Rainha da Borborema. Ao lado de Diogo Cunha Lima e Romero Rodrigues, Cícero deve usar essa musculatura local para quebrar a desconfiança de que priorizará apenas a capital. Conquistar genuinamente o coração e o voto do povo campinense deixou de ser apenas uma meta estratégica; tornou-se o passaporte obrigatório para sua vitória no estado.




