A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu ao Supremo Tribunal Federal que o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e preso sob suspeita de liderar um esquema de desvios em aposentadorias, bancou uma viagem dele a Portugal em novembro de 2024.
Apesar da admissão, a petição protocolada no gabinete do ministro André Mendonça afirma que Fábio Luís não firmou qualquer negócio com o empresário, não recebeu pagamentos e desconhecia supostas fraudes envolvendo benefícios do INSS.
A manifestação chegou ao STF após a divulgação da quebra do sigilo bancário de Antônio Camilo e em meio ao receio, por parte da defesa, de que o filho do presidente se torne alvo de novas medidas da Polícia Federal. Antes, o conteúdo já havia sido antecipado pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Relação com empresário e viagem a Portugal
Na peça, os advogados relatam que Fábio Luís conheceu Antônio Camilo em 2024, apresentado pela amiga Roberta Luchsinger como um empresário bem-sucedido do mercado farmacêutico. Eles sustentam que, à época, ele não sabia da atuação do empresário junto ao INSS.
Segundo a defesa, o interesse do filho do presidente surgiu quando o empresário mencionou um projeto de produção de canabidiol medicinal. Fábio Luís teria relatado que uma sobrinha faz tratamento com a substância e enfrenta dificuldades para conseguir medicamentos de qualidade.
Ainda de acordo com o documento, durante essa conversa, o empresário informou que viajaria a Portugal para conhecer fabricantes e convidou Fábio Luís a acompanhá-lo, sem qualquer compromisso comercial. O convite foi aceito e Antônio Camilo arcou com os custos da viagem, em novembro de 2024.
A petição afirma que Fábio Luís apenas acompanhou visitas a possíveis fornecedores e propriedades ligadas ao projeto de canabidiol. Os advogados ressaltam que ele não participou de negociações, não investiu trabalho ou recursos próprios e não recebeu proposta de sociedade ou compra de cotas.
Defesa nega negócios e vê projeto como lícito
Em outro trecho, a defesa enfatiza que Fábio Luís jamais firmou qualquer tipo de relação comercial com Antônio Camilo e que desconhecia fraudes no INSS ou outras ilegalidades envolvendo o empresário.
“FÁBIO LUÍS jamais firmou qualquer tipo de relação comercial com ANTÔNIO CAMILO, tampouco tinha conhecimento sobre fraudes no INSS ou outras ilegalidades, registra a petição enviada ao STF”.
Os advogados argumentam ainda que, mesmo que tivesse sido fechado algum negócio na área de canabidiol, tal fato não configuraria crime. Para eles, o filho do presidente acompanhava o que entendia ser um projeto legítimo, conduzido por um empresário de sucesso no setor farmacêutico.
Operação Sem Desconto e avanço das investigações
A defesa afirma que a imagem pública de Antônio Camilo como empresário bem-sucedido só mudou muitos meses após a viagem, com a deflagração da Operação Sem Desconto, em 23 de abril de 2025. A ação investiga um suposto esquema de desvios em aposentadorias.
Conforme a petição, foi apenas após a operação policial e a ampla divulgação do caso que Fábio Luís passou a associar o nome de Antônio Camilo às suspeitas de fraudes contra o INSS.
Ao apresentar as explicações ao STF, os advogados buscam afastar a vinculação de Fábio Luís ao esquema investigado. Eles insistem que a relação com o empresário se limitou ao convívio social e à viagem a Portugal, sem qualquer envolvimento em negociatas ou recebimento de valores.




