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Medo generalizado: 90% temem ser vítima de violência em João Pessoa, aponta ICP

Nove entre cada dez pessoas que moram em João Pessoa tem algum nível de medo de ser vítima de violência ao circular pelas ruas da capital. O dado consta em pesquisa realizada pelo Instituto Click de Pesquisa (ICP), entre os dias 5 e 22 de novembro, trazendo um verdadeiro mapa da sensação de segurança de quem vive na capital paraibana, e serve como balizador de atitudes que podem ser tomadas pelos poderes públicos e pela própria população.

De acordo com a pesquisa, 90% responderam que têm algum medo de ser vítima de algum crime em João Pessoa, revelando que por mais ações que sejam adotadas, a população não tem mais a sensação de tranquilidade de antigamente. Destes, 8,4% revelaram MEDO EXTREMO e 26,1% MUITO MEDO. Apenas 9,4% responderam que não tem MEDO ALGUM de ser vítima de um crime.

 

O medo de ser vítima de violência atinge índices ainda maiores entre as mulheres. Na estratificação dos dados por gênero, a pesquisa apontou que, entre as mulheres pesquisadas, cerca de 95,2% tem algum medo, sendo que, destas, 9,52% tem MEDO EXTREMO.

Aproximadamente 71% se sentem inseguros nas ruas

A percepção de insegurança reflete o medo da violência atestado pela pesquisa. O Instituto quis saber sobre o sentimento de segurança da população ao circular de dia e à noite pelas ruas de João Pessoa. A pesquisa revela que 70,9% sentem algum nível de insegurança em estar no meio da rua. Destes, 22,1% se sentem MUITO INSEGUROS.

As mulheres também apresentaram números ainda maiores de insegurança. No total, aproximadamente 26% delas consideram-se MUITO INSEGURAS.

Curiosamente, a mesma pesquisa aponta que 70,7% dos entrevistados nunca foram ou tiveram alguém da família vítimas de algum crime nos últimos 12 meses. Apenas 12,2% disseram ser vítimas de algum crime, a exemplo de assalto, roubo ou violência física.

O que demonstra, na visão da pesquisadora Tâmara Monique, responsável pela consulta junto com o estatístico e professor da UFPB, Hemílio Coelho, que “o medo não decorre apenas de experiências diretas, mas de um ambiente simbólico alimentado por notícias, relatos próximos, redes sociais e percepção generalizada de risco”.

Medo faz 70,5% mudarem hábitos de vida em João Pessoa

A sensação de insegurança captada pela pesquisa do ICP não fica apenas no campo dos sentimentos. Ela se traduz em ações concretas por parte da população, que passa a tomar alguma providência para evitar virar estatística de crime. De acordo com a pesquisa realizada pelo ICP, 70,5% dos entrevistados mudaram algum hábito de vida por medo da violência, seja deixando de sair à noite, evitando alguns locais ou instalando câmeras. Destes, 44,2% disseram que fazem isso COM FREQUÊNCIA.

“Isso mostra que o medo não é abstrato. Ele reorganiza a vida social, restringe circulação, impacta lazer, trabalho informa, encontros familiares e o uso do espaço público”, destaca a pesquisadora Tâmara Monique.