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Com delação à vista, governo Lula age para se descolar do caso Master

Diante da perspectiva de uma delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o governo federal abriu uma frente de ação para tentar se desvincular de denúncias e neutralizar o que petistas descrevem como “pontos sensíveis” relacionados ao caso do Banco Master. Embora digam que as denúncias só existem por conta da iniciativa da atual gestão de investigar, líderes governistas admitem que o tema alimenta o tema da corrupção, abastecendo a estratégia da oposição.

A preocupação se refere aos vínculos de setores do PT com o banco. A ala baiana do partido, em especial, mantinha relação com Augusto Lima, o Guga Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco, o que esbarra em quadros importantes do governo, como o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Há nos bastidores menções à possibilidade de o próprio Guga Lima também optar por uma colaboração.

Uma estratégia desenhada nos bastidores é tentar emplacar nos discursos de integrantes do governo e nas redes sociais o apelido “Bolsomaster” para a crise. Esse plano vem sendo puxado, por exemplo, pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

A estratégia inclui alardear que Vorcaro assumiu o controle do Master e pavimentou um crescimento acelerado do banco no governo de Jair Bolsonaro (PL). Um ponto central é jogar a crise no colo do ex-presidente do BC (Banco Central) no governo Bolsonaro, Roberto Campos Neto, dizendo que as irregularidades se desenharam durante sua gestão, sem a devida investigação. E que só teria havido uma ação efetiva sob Gabriel Galípolo.

Este é um dos pontos da ofensiva autorizada pelo governo com ataques mais intensos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, como adiantado pela CNN. Por exemplo, o PT começou a divulgar na quinta-feira (19) um material em que afirma que o governo Bolsonaro “abriu caminho para o escândalo do Banco Master”.

No campo bolsonarista, a eclosão do caso Master vem servindo como munição em declarações de líderes da oposição e do próprio Flávio. Boa parte do foco se apoia no STF (Supremo Tribunal Federal), dadas as menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no caso.

Mas Flávio também tem defendido publicamente que sejam investigados ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mencionando diretamente a relação de Guga Lima com o PT baiano e citando nominalmente o ministro Rui Costa.

Também costuma ser feita menção ao próprio Lula, pelo fato de o presidente ter recebido Vorcaro fora da agenda, em um encontro no Palácio do Planalto. O encontro, ocorrido em dezembro de 2024, teria sido mediado pelo ex-ministro Guido Mantega.