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Justiça nega recurso e mantém prisão domiciliar a pediatra condenado por abusar de crianças

A Justiça da Paraíba negou um recurso do Ministério Público e manteve a prisão domiciliar do pediatra Fernando Cunha Lima, condenado a mais de 22 anos de prisão por estupro de crianças. A decisão é da juíza Andrea Arcoverde, da Vara de Execução Penal de João Pessoa. Embora assinada no dia 8 de janeiro, o despacho passou a circular nesta quinta-feira (15).

O recurso foi apresentado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) contra a decisão do juiz Carlos Neves da Franca, que concedeu a prisão domiciliar ao médico em dezembro de 2025.

Ao analisar o pedido, a magistrada entendeu que a medida “atende aos fatos constantes dos autos, à lei e à jurisprudência predominante”, mantendo o benefício concedido ao condenado.

Prisão domiciliar concedida por problemas de saúde

Fernando Cunha Lima cumpre prisão domiciliar desde dezembro de 2025. A defesa alegou que ele possui problemas graves de saúde incompatíveis com o sistema prisional.

De acordo com os autos, o médico apresenta doença pulmonar obstrutiva crônicaneurite periférica nos membros inferioresinsuficiência cardíaca e está em tratamento contra um câncer de próstata.

Condições impostas pela Justiça

Para permanecer em prisão domiciliar, o pediatra deve cumprir determinações judiciais. Entre elas:

  • Permanecer em casa em tempo integral, podendo sair apenas para consultas e exames médicos, mediante autorização judicial, exceto em emergências;

  • Receber visitas de servidor técnico responsável pela monitoração eletrônica;

  • Apresentar laudo médico atualizado a cada 60 dias.

Relembre o caso

Fernando Cunha Lima foi preso em 7 de março, em Pernambuco, e transferido para a Paraíba no dia 14 de março. Ele permaneceu detido na Penitenciária Especial do Valentina de Figueiredo.

O médico se tornou réu em agosto de 2024, quando a Justiça aceitou a primeira denúncia por estupro, mas negou a prisão preventiva. A ordem de prisão foi expedida apenas em 5 de novembro de 2024.

No mesmo dia, a Polícia Civil tentou cumprir o mandado, mas não encontrou o acusado, que passou a ser considerado foragido.

Acusações de estupro

Fernando Paredes Cunha Lima foi denunciado por estupro de vulnerável contra seis crianças, todas pacientes do médico.

primeira denúncia formal ocorreu em 25 de julho de 2024. Segundo a mãe da vítima, ela presenciou o momento em que o pediatra teria tocado as partes íntimas da criança durante a consulta.

Após o registro do boletim de ocorrência, outras vítimas procuraram a Polícia Civil. Entre elas, uma sobrinha do médico, que relatou ter sido abusada em 1991, fato que teria provocado o rompimento familiar, embora sem denúncia formal à época.